Setembro 2016 | Para Lá da Kapa

DESTAQUES DA SEMANA

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Editoras | Como te preparares, a escolha, o contacto....

Como Publicar um livro?

A cada dia se publicam centenas de livros pelo mundo. É um facto! O que já não é tão coerente é o mercado editorial português. Neste artigo, tenciono abordar alguns temas relacionados com as editoras nacionais e do conceito em torno de publicar um livro.
Muitos já pensaram em escrever um livro, mas e quanto a publicá-lo? Que editoras deves contactar? Como? É fácil? Estas são algumas questões que nem sempre são fáceis de responder.

Primeiro, há que desmistificar o mito das vendas loucas. Se pensarmos que, por norma, o escritor apenas recebe 10% da venda de um livro (designado direitos de autor) então o que acontece ao resto? Usemos o exemplo da Joana (quando digo Joana, digo alguém). Ela tem o livro à venda nas livrarias por 15€, recebendo, então, 1,50€ por cada exemplar vendido (os direitos de autor). O que é feito dos 13,50€ que sobram? Bem, numa edição normal, a editora recebe 35% da venda, 5,25€, neste caso, e a fatia maior vai para a livraria, 45% (6,75€). Se fizermos as contas, sobram ainda 1,50€. Alguma ideia de para quem são? As distribuidoras que reabastecem as livrarias. Recebem tanto como o autor.
Podemos pensar "A editora ainda recebe uma boa parte, porque não cede mais um pouco ao autor?". Na verdade, a própria editora não lucra muito, pois tem de pagar ao revisor, a quem fez a capa do livro, quem paginou, à gráfica que o imprimiu, à promoção do livro, aos livros oferecidos a blogues, revistas...  Isto tudo, principalmente se for uma tiragem pequena (que falaremos mais à frente), torna pouco flexível as manobras editoriais.

Estive a dizer-te isto com que cabimento? A verdade é que eu sou maluco... Ou nem tanto. É importante entender que, com pouca margem para erros, as editoras não podem apostar em todos os livros com potencial que lhe são disponibilizados. Até porque muitos nem o tem e as grandes empresas editoriais preferem apostar em autores estrangeiros que já tenham mostrado sucesso no exterior do que num autor nacional pouco ou nada conhecido. 
No entanto, isto não é razão para perder o ânimo, mas sim para caprichar na obra! Revê o teu manuscrito as vezes que forem necessárias antes de o enviares para as editoras. Se pensares que o teu livro tem algo que o diferencia dos restantes, algo que lhe dará brio quando comparado com semelhantes, seja o tema, as imagens, o título... Refere-o quando contactares à editora (mas nada de exageros! Será contraproducente dizer à editora que está perante o próximo Saramago). Um editor não é um monstro de três cabeças. É apenas um empreendedor a tentar adivinhar qual será a obra certa para apostar. O mercado é um tecido vivo, sempre sujeito à mudança do meio e ao interesse do público. Nós, como leitores, compomos esse tecido vivo.

Como Publicar um livro?

Depois de concluíres a tua obra completa e de a reveres eximiamente bem, está na altura de escolher qual/quais editoras contactar. Atualmente, podes enviar a tua proposta por e-mail ou por correio físico. Hoje em dia já não é tão comum receber um manuscrito físico e, se imprimir uns quantos originais não afetar a tua situação económica, pode fazer a diferença entre ser lido com atenção... ou não (caso o envies por e-mail, em conjunto com tantos outros interessados).
  Na escolha das editoras a contactar, certifica-te que elas publicam o tema do teu original. Por vezes, pode ser mais proveitoso contactar editoras mais jovens e regionais do que as grandes nacionais que, na sua maioria, só aceitam pessoas célebres ou estrangeiros. Enviar o teu original para 10 editoras é um número aceitável, principalmente se estiveres a tentar as grandes empresas.

Como contactar uma editora? Bem, talvez fosse mais prático se colocasse um modelo/exemplo de um e-mail correto e, a partir dele, podias adaptar ao teu objetivo. Infelizmente, tal modelo não existe. Os editores privilegiam contactos originais, apelativos e que captem a sua atenção, e tem em consideração que a sinopse e a carta de apresentação podem descartar a hipótese de o livro começar sequer a ser lido.
É provável, mesmo que o seu livro tenha uma enredo cativante, coerente e correto, que receba os tão temidos "Obrigado por nos ter apresentado o seu original. Lamentamos, mas...". Não quer dizer que não sejas bom escritor ou que a história não seja nada de especial, simplesmente que a obra não se enquadra no plano comercial da editora ou que esta nem teve interesse em lê-lo. A Saída de Emergência, por exemplo, sendo uma editora de fantasia, é escusado escreveres-lhe uma carta a apresentar o teu romance histórico (por exemplo).

Isto leva-nos à parte do "Sim". Nesta parte, é preciso ter alguns cuidados, nomeadamente se ainda não fizeste todo o teu trabalho de casa... No mundo editorial, há editoras profissionais com diversas chancelas (que não cobram a publicação da tua obra, como a Porto Editora). Todavia, também há as prestadoras de serviços que cobram pela edição do livro (a maior parte destas tem graves problemas em fazer o livro chegar às livrarias. Se estiveres a pesquisar editoras no google, salta aquelas páginas que dizem anúncio, porque essas empresas não costumam ser muito (nada) eficientes). Ainda temos as editoras mais pequenas, que são meio que engolidas pelas grandes que dominam o mercado. Sabias, por exemplo, que aquelas ilhas no meio das livrarias costuma ter um preço às editoras, por ter mais destaque?
  Não é demais salientar que, sendo autor nacional e caso pretendas publicar a tua obra com uma editora jovem, é provável que não vás encontrar muitos exemplares teus na Fnac/Bertrand... Estas são empresas que não privilegiam os escritores portugueses e só se o pouco material aceite for vendido é que pedem mais. Caso contrário, devolvem-no. Não é para levar a peito, são apenas negócios.

Contactar uma editora

Relativamente à parte da receção do(s) contrato(s), tem cuidado com os termos. Se ficares com dúvidas em relação a alguma cláusula, não hesites em contactar o editor para clarificar a situação. Se, mesmo assim, não te sentires seguro, contacta um advogado da área. É melhor prevenir do que remediar!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - Análise

Título: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Autor: John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Editorial Presença
Sinopse: Ver aqui
Lançamento: Setembro de 2016

Embora gerado por autores diferentes dos livros anteriores, o Harry Potter não perdeu toda a sua essência. Mantém a fantasia e o suspense.


De inicio, achei a primeira parte do livro um pouco pesada (principalmente da página 100 à 150). Depois, a história mergulha numa série de voltas e reviravoltas, onde as consequências menos improváveis acontecem, profecias são reveladas, um segredo obscuro vem ao de cima, nós perdemos o FÔLEGO ... e, no meio disto, duas crianças incompreendidas tentam sobreviver a mais um ano em Hogwarts que, apesar dos anos, mantém os seus mistérios e assombrações.

São poucos os que ainda não conhecem este mundo de feitiços e bruxedos. Esta obra, em contradição às anteriores, é semelhante a um guião de uma peça de teatro (que estreou em fins de julho), um tipo de leitura diferente, ótimo para quem quer variar ou simplesmente acrescentar um pouco mais de magia no seu mundo.



VÊ TAMBÉM

Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald a favor da caridade?




domingo, 25 de setembro de 2016

O Riacho Nada Inocente - Conto

O Riacho Nada Inocente, Luís Telles do Amaral

  Não há muito tempo, vivia um certo rapaz naquela colina cristalina.  Repleta de gelo, possui uma vertente que esconde, paralelamente, o antigo abrigo da criança.  

  Num dia não muito distante, o jovem baixou a guarda e o fim entrou.  Olhava o rapaz para o sereno dia frio e solarengo, quando algo pousou à janela. Um corvo resistente.  
  O menino, tantos dias só naquele pequeno amontoado de terra, de mãos abertas o recebe.  O corvo, depois de dias a fio a esquivar-se de um mal silencioso, sem hesitar aceita o caloroso abraço do estranho. Daqui, se forma uma improvável e forte amizade, se bem que por pouco tempo... 

  O fim já os presenteou com a sua presença. Numa certa manhã, poucos dias passados desde o encontro, o corvo adoece e a criança, sem saber o que fazer, abraça-o com todas as suas forças. No final do dia, a alma solitária, repentinamente acolhida, volta para a sua solidão. O corvo pereceu.  
  Muito não faltou para o próprio rapaz seguir um destino semelhante. Um espirro, depois outro e outro até que, ao quarto espirro, as mãos mancham-se de vermelho. É ela. Ele percebeu. Sempre foi ela! Todavia, não foi o corvo que a trouxe... Não! A Praga foi o maior e o último erro da humanidade. Não foi o corvo que acabou com a sua vida, foi ele que sacrificou o corvo. Ele descobriu! A montanha cristalina guardou um segredo de todos, até mesmo dele. No pequeno riacho que docilmente a rodeia havia um segredo! A branca colina pertencia ao riacho, mas o riacho não pertencia à inocente colina. Não. O riacho já não era inocente, não era transparente. Ele já não passava dum bagageiro da Praga. Do fim.  
  Um último espirro, o rapaz cerra os olhos e liberta do abraço o corvo, inerte.
  
  Para os curiosos e corajosos muita cautela! A Praga foi extinta das grandes metrópoles, mas ainda há quem diga que o maior mal da humanidade permanece no riacho da colina cristalina. Ansiando o recomeço. 

Luís Telles do Amaral

sábado, 24 de setembro de 2016

Na Vida com Garra - Opinião


Título: Na Vida com Garra
Autor: Telma Monteiro
Editora: Manuscrito
Sinopse: Ver aqui
Lançamento: Julho de 2016

  Muitos a devem conhecer como a Campeã Olímpica de 2016, mas sabiam que esta desportista notável possui um livro? 

  Mais do que uma obra relacionada ao Judo, é um relato de superação, experiência e força. Por vezes, é-nos difícil identificar um autor com base no seu livro... Este não é o caso! Ao longo das páginas do manuscrito, vemos constantemente a escrita e a personalidade da autora, bem como vivências pessoais e genuínas, os momentos mais intensos e determinantes. A escritora revela-nos a filosofia de como se tornou a Campeã de Portugal e de como todos podem superar os seus obstáculos no desporto, na vida pessoal e na profissional.

  Se procuram um tema motivador e nacional, este é o livro! 


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Cinzas de um Novo Mundo - Opinião


Título: Cinzas de um Novo Mundo
Autor: Rafael Loureiro
Editora: Editorial Presença
Sinopse: Ver aqui
Lançamento: junho de 2016

  Que vos sugere este título? Destruição? Esperança? Morte? O certo é que é um livro único do género! Passa-se num futuro atribulado, num mundo contaminado por nuvens de poluição, chuvas ácidas e doenças avassaladoras. 
  As Organizações Mundiais caíram, os países dos diferentes continentes uniram-se e uma guerra eminente surge. A poluição tóxica varre milhões e a fome outros tantos. Em Portugal, a população é dividida por zonas!
  A Zona 1, com alguns privilégios e energia, a Zona 2, sobrevivendo através de barras proteicas, a Zona 3, onde a desordem e a morte reinam e a Zona 4, uma "suposta" zona morta e inóspita...

O que mais gostei neste enredo, foi ver este caos pela perspetiva de um agente da paz, uma assassina, um soldado e um Imortal. Tudo passado em Portugal que, combinado com uma escrita fluída e cuidada, faz desta obra algo a não perder!


O Primeiro

Podia começar com uma biografia, ou dar-te as boas vindas! A segunda parece-me uma opção mais viável. Ainda não me decidi quanto à introdução.
Sinceramente, adoro ler, escrever e aventurar-me por mundos improváveis. Os livros sempre ocuparam uma parte da minha vida.

Nesta plataforma pessoal, podes contar com as minhas observações dos mundos que visito e, eventualmente, habito. Terei atenção aos livros internacionais, sem nunca esquecer os nacionais, abordarei os mais procurados e os menos amados. No meio disto, aguarda também desafios e escritos da minha autoria.




Até breve

Luís J. Amaral



«Com o tempo, tudo parte

E a memória tudo estima.»