Dezembro 2017 | Para Lá da Kapa

DESTAQUES DA SEMANA

domingo, 31 de dezembro de 2017

Os 10 Melhores Livros que Lemos em 2017

Com o ano findado, apresentamos-te os melhores livros que descobrimos em 2017. 

Concordas com os títulos escolhidos? 😉


10. ORIGEM, de Dan Brown 

Origem, Dan Brown, Melhores Livros 2017

Um livro com uma cultura espanhola notável. Embora Origem siga a mesma estrutura dos thrillers anteriores de Dan Brown (e, por isso, perder muito do mistério), conseguiu abordar o tema delicado da nossa existência. Aconselho-o a quem ainda não conhece o escritor, ou quer relembrar/conhecer Barcelona.

9. A SÍNDROME DE PETER PAN, de Eliana G.  Pyhn

A Síndrome de Peter Pan, Melhores Livros 2017

Um livro que aborda alguns dos problemas mais complexos conhecidos: o amor, a consciência e a doença. Eliana G. Pyhn expõe-nos A Síndrome de Peter Pan (adultos que ficaram presos na infância) de uma maneira cativante através da troca de mensagens amorosas entre um homem com o dom das palavras e uma mulher segura e independente. É um tema que pode afetar muitas famílias e que está a ficar conhecido.

8. A NOITE QUE FORA DE NATAL, CARTA AO PAI NATAL e OS MORTOS

A Noite Que Fora de Natal, Os Mortos, Melhores Livros 2017~

Uma coletânea de 3 escritores de renome. O conto de Jorge de Sena foi o mais apreciado, com humor, história e capacidade literária. O excerto de Mark Twain é um cheiro agradável do talento do escritor. O conto consagrado de James Joyce Os Mortos é uma ótima maneira de conhecer o autor.


7. OS VAMPIROS DO NORTE, de João Carlos Pinto

Os Vampiros do Norte, Melhores Livros de 2017

Esta obra chegou ao nosso TOP 10 pela criatividade invulgar do autor. Os Vampiros do Norte é uma sátira engraçadíssima sobre a atualidade. Ao início, pode parecer demasiado irónica e irreal, mas depressa entramos na sua onda de bom humor. É o ideal para quem gosta de rir.

6. O LIMIAR DO AMANHÃ, de Howard Fast

O Limiar do Amanhã, Howard Fast, Melhores Livros 2017
  
O Limiar do Amanhã é um livro de ficção científica genuíno. Já tem mais de 30 anos, o que torna divertido comparar o que autor esperava do futuro com o que está realmente a acontecer. Para além disto, o autor revela como o Homem não está no centro do Universo, mas, quando unido, é uma força considerável.

5. O CONTÁGIO, de Megan Abbott

O Contágio, Megan Abbott, Melhores Livros 2017

Totalmente fora do comum, o thriller de Megan Abbott conseguiu o lugar nesta lista pela escrita fluída e segura, que permite construir um mundo mental da cidade da história (como um filme). O Contágio é baseado num evento notório ocorrido em Nova Iorque.

4. AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI, de Nicholas Sparks

As Palavras que Nunca Te Direi, melhores Livros 2017

Um romance que toca no coração, As Palavras Que Nunca Te Direi é um livro que consome, alegra e entristece. É o indicado para quem procura um livro belo e sentimental.

3. O ESCARAVELHO DA MORTE, de Richard Lewis

O Escaravelho da Morte, Melhores Livros 2017

O Escaravelho da Morte é a prova de que os alfarrabistas têm das maiores surpresas. É um livro dos anos 80, mas com uma história que, com uma capa nova, passava por 2017. Um dos melhores thrillers que li sobre pessoas, vida, escolhas e, claro, escaravelhos! 

2. VERONIKA DECIDE MORRER, de Paulo Coelho

Veronika Decide Morrer, Paulo Coelho, Melhores Livros 2017

Uma obra que aborda o nosso íntima, aquela linha ténue que separa a sanidade da loucura. Paulo Coelho provou ser um escritor brilhante com este romance totalmente fora do comum. Com exceção do final banal, Veronika Decide Morrer é uma obra-prima.

1. CÓLERA, de Denis Marquet

Colera, Denis Marquet, Melhores Livros 2017

Esta foi de longe a nossa melhor leitura de 2017. Cólera é um romance, uma ficção, uma filosofia e um dos raros livros que nos ensina e altera. A própria conceção de vida do leitor é posta à prova. Denis Marquet é um escritor francês com pouco reconhecimento em Portugal, e só depende de nós alterar a situação. O autor produziu uma obra única que estremece os alicerces da Humanidade. 

Agora que já conheces o nosso TOP 10 de leituras de 2017, é a tua vez! Quais são os teus escolhidos?

Os 10 melhores livros de 2017

O Contágio, de Megan Abbott | Resenha Literária


O Contágio, Megan Abbott
Título: O Contágio
Autor: Megan Abbott (site oficial)
Sinopse: em anexo
Lançamento: maio de 2017
Tradutor: José Saraiva (trabalho impecável)

Apesar do título induzir em erro sobre o tema que aborda, "O Contágio" é um thriller cativante. Frustra o leitor pela sua falta de nexo.


Adquiri este livro com a expectativa de o tema estar relacionado com uma doença contagiosa. Se pensas o mesmo, permite-me elucidar-te — "O Contágio" é um thriller repleto de mistério, mas está longe de representar um surto infecioso normal, ou uma história com muito sentido.

O Contágio, opinião, livro

O trama passa-se em redor da família Nash e da sua escola secundária. É de frisar que as personagens estão habilidosamente desenvolvidas, tal como o mistério crescente ao longo da leitura. É daqueles livros em que conseguimos imaginar tudo.
Deste modo, é com angústia que terminamos a leitura e concluímos que tudo o que vivenciamos na leitura acaba num clímax dificilmente concebível (alerta spoiler):

Loucura; Convulsões; Segredos; Medo; Epidemia; Vacinas; Lago contaminado... 
TUDO termina sendo apenas uma histeria coletiva, resultado da pressão avassaladora que "os jovens" são alvo.

A Megan Abbott demonstrou as suas capacidades literárias. Em "O Contágio", Apresenta o mundo estudantil na sua versão mais dura e frívola, sugerindo como o nosso inconsciente pode ser poderoso. Infelizmente, fê-lo numa dissertação rumo a um precipício. "O Contágio" inibe o leitor de ler mais alguma obra de Megan.

Esta obra foi especialmente inspirada num evento que aconteceu em Nova Iorque e está a ser adaptada para uma série da MTV desde 2015.

Megan Abbott, crítica

A mente pode confundir o corpo,   
Também o corpo pode enganar a mente,
Mas somente a mente consegue dominar.


Luís Telles do Amaral

O Contágio é um thriller invulgar. Partindo dum contexto jovial, embarca numa aventura rumo ao precipício.



Sinopse | CONHECE O MUNDO O CONTÁGIO

A família Nash é muito unida. Tom é um professor bastante popular, pai de dois adolescentes: Eli, uma estrela de hóquei adorado por todas as raparigas, e a sua irmã Deenie, uma estudante exemplar.

Mas a estabilidade que os rodeia é despedaçada quando a melhor amiga de Deenie é possuída por convulsões na escola. Rumores de uma epidemia incendeiam-se como um rastilho de pólvora pela comunidade. O pior de todos virá ao de cima… e nada mais será igual.
À medida que cresce a histeria e o contágio se propaga, emerge uma série de segredos profundos que ameaça destruir amizades, famílias e a própria segurança da pacata cidade.

Avaliamos — 2,3/5,0 estrelas


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sábado, 30 de dezembro de 2017

Star Wars: Os Últimos Jedi | Opinião do Filme

Star Wars, Os Últimos Jedi
Título: Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
Realizador: Rian Johnson
Estreia: 14 de dezembro de 2017
Trailer & Sinopse: Em anexo 

Star Wars: Os Últimos Jedi veio como uma lufada de ar fresco. Embora não tenha havido grande avanço na história, a força voltou para nós!


 O último filme da saga, Rogue One, foi um autêntico desastre. Cansou, as personagens não cativaram e não veio acrescentar nada ao mundo Star Wars. Temia-se que o fim deste mundo interestelar estivesse próximo... e este episódio reanimou a esperança! Trouxe emoções, momentos de agonia, tensões, risos e alegria. 

Star Wars, Chewbacca e Porg

 Tal como o título sugere, parece ser o fim dos Jedi e dos Sith... Mas será mesmo? Este episódio carrega ventos de mudança e ainda existe quem conheça estas artes ancestrais. Para além disso, os fantasmas Jedi, como o Yoda e o Luke Skywalker, vagueiam por aí... (para quem não sabe, os melhores mestres Jedi têm a capacidade de se unirem com a força e, quando o seu corpo físico os deixa, os seus espíritos permanecem imortais, unos com a força).

 O elenco agradou, especialmente a Carrie Fisher (cuja morte lamento imenso) no papel de Leia Organa e a Laura Dern a representar a Vice-almirante Holdo, que proporcionaram alguns dos momentos mais emocionantes que vivi no mundo Star Wars. 

Holdo e Leia Organa, Star Wars
Vice-almirante Holdo a despedir-se da Almirante e amiga Leia Organa
 Embora considere Os Últimos Jedi um episódio revigorante, é de referir o pouco avanço que houve. Aconteceu algo com os ensinamentos Jedi e Sith e o crescimento pessoal das personagens, mas, para além disto, a única diferença aparente é o decréscimo acentuado da força da Aliança Rebelde.

Os Últimos Jedi traz ação, emoção e muita comoção. É certamente uma gloriosa adquirição para a saga Star Wars.


Sinopse | STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI

  Rey encontra Luke Skywalker em Ahch-To, após ter viajado no Millennium Falcon na companhia de Chewbacca e de R2-D2, mas Luke recusa passar-lhe os ensinamentos dos mestres Jedi.
  Entretanto, os combatentes da resistência, comandados pela General Leia Organa, são obrigados a evacuar a sua base perante a chegada de uma frota de naves da Primeira Ordem. Após um breve mas duro combate, as naves da Resistência escapam através do hiperespaço, mas surpreendentemente são seguidas por Lorde Hux.
  Começa uma longa batalha do gato e do rato. A Resistência confia na sua mobilidade e nos escudos defletores das suas naves espaciais, mas a energia disponível é cada vez menor
  Em desacordo com a estratégia passiva dos seus líderes, Poe, Finn, BB-8 e mecânica Rose Tico iniciam um plano secreto para desativar o dispositivo de localização da frota da Primeira Ordem...

Trailer | DESCOBRE O FUTURO DOS JEDI


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Opinião, Os Últimos Jedi, Crítica


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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Um Ritmo Perfeito 3 | A Opinião do filme

Um Ritmo Perfeito 3, Até à última nota
Título: Um Ritmo Perfeito 3 — Até à Última Nota
Realizador: Trish Sie
Estreia: 21 de dezembro de 2017
Trailer & Sinopse: Em anexo 

À semelhança dos anteriores, Um Ritmo Perfeito 3 proporciona um rodada de risos e devaneios.


Um Ritmo Perfeito 3 mostra o Girls Power das Bellas, o grupo de cantoras à capela mais famoso de sempre! Não tenhas dúvidas de que elas, a seguir ao filme Jumanji, são a melhor comédia deste final de ano.

Pitch Perfect 3

Depois de dois filmes a bater na mesma tecla, o final da trilogia arriscava tornar-se secante e maçador. Felizmente, colocaram a Amy Gorda (Rebel Wilson) em destaque, reforçando em força a dose de humor.


A música é fantástica, como sempre. Foram as melodias das Bellas que me fizeram acompanhar esta saga até ao fim. Congratulo a realizadora por enaltecer a humanidade das personagens. Imaginem só! (Spoiler Alert) Quando as Bellas são obrigadas a suspender a banda, uma delas até admite que ficava doente sempre que pensava em cantar. Outra estava prestes a ser mãe e... todas tinham os seus afazeres.

Embora seja um título sobre superação, união, amizade e felicidade, o guião do último Um Ritmo Perfeito é somente satisfatório. Tem personagens engraçadíssimas, mas falta-lhe uma dose de originalidade.

Um filme que estimula o bom humor.


Sinopse | UM RITMO PERFEITO: ATÉ À ÚLTIMA NOTA

 Desde que terminaram a Universidade que as Barden Bellas, vencedoras do ICCA (International Championship of Collegiate a Cappella), não fazem nenhuma aparição pública. Agora, cada uma das raparigas tenta encontrar o seu lugar no “mundo real”, esforçando-se por sobreviver com o pouco que ganha com os seus empregos medíocres. É então que, depois de uma noite de copos, decidem inscrever-se no USO Tour, uma tournée de concertos cuja finalidade é animar as tropas norte-americanas instaladas por toda a Europa. Mas o maior problema para as Bella será competir com grupos que, para além da sua inegável qualidade, não se restringem a fazer música “a cappella”…

Trailer | REVIVE A ENERGIA DAS BELLAS


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Um Ritmo Perfeito 3, Opinião


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domingo, 24 de dezembro de 2017

Conto de Natal

Para partilhar o Natal contigo, aqui está um conto natalício exclusivo do nosso blogue. Espero que gostes e um grande Feliz de Natal 😉

Era um dia como tantos outros quando tudo aconteceu. Ainda tinha os lábios mornos do café escaldado e a sonolência bêbada de quem ficou até tarde a mandriar nas redes sociais. Trazia o telemóvel no bolso e os auscultadores nos ouvidos e foi então que, de repente, reparei no polícia fardado a escoltar a entrada do autocarro que me levaria para o trabalho.

 – Bom dia – cumprimentei o Sr. Gilberto, o pacato motorista da majestosa viatura azul que sempre me recebera com um aceno tão quente como a chávena fervente do café.

 Olhei para o Sr. Gilberto, que me fitou com um olhar irado como o gelado. Senti um aperto no estômago e perguntei-lhe: – Está tudo bem?

"Olhar Irado como o Gelado"

 Enquanto falava, estranhei ver a Clara, uma colega que me costuma acompanhar para o trabalho, a sair apressada do autocarro.

 – Vou chegar atrasada! – corria ela com o telemóvel na mão.

 O Sr. Gilberto permaneceu impassível, enquanto o polícia se aproximava.

 – Onde está? – indagou o agente. Intimidado, tirei o passe de autocarro do bolso e mostreilho. Ele expirou uma lufada de ar vulcânico para a minha nuca, e o pânico apoderou-se de mim. – O Livro, rapaz! Não viste as notícias? Precisas de ter um livro na mão para poderes entrar no autocarro.

 Na altura, duvidei da sua resposta, mas, sendo ele um agente de autoridade, insisti:

 – Por favor, se eu não apanho este autocarro perco o emprego! Deixe-me entrar, e eu prometo que lhe compro um livro. Vá lá! Estamos a uma semana do Natal...

 O polícia deu uma gargalhada e deixou passar uma velha com um livro na carteira.

 – Rapaz, acredita que nunca aspirei passar de polícia a porteiro, mas agora é assim. Trazes um livro na mão ou um atestado médico que te ilibe de tal e podes entrar nos veículos públicos. Se não o fazes, problema teu. Agora, sai! Temos de seguir viagem – exalou.

 Sem tempo a perder, corri para a paragem de táxis. Durante a viagem para o trabalho, o taxista explicou-me que o governo quer estimular a cultura da população e não viu melhor forma para o fazer do que implementar algumas leis estimuladoras da consciência.

 No trabalho, não eram poucos os livros abandonados pelas secretárias. Quis convencer-me de que a lei estava condenada ao fracasso e de que só me tinha feito perder o dinheiro para o almoço. Mal-humorado, pedi ao meu superior para participar na manifestação da próxima tarde, e o homem deu-me licença.

 – Isto é um atentado à sanidade pública! – dizia ele.

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 No dia seguinte, não me esqueci de trazer um livro que tinha por casa. Cumprimentei o Sr. Gilberto, e o maldito nem teve coragem de olhar para mim. O polícia deixou-me passar, e eu fui sentar-me ao lado de uma rapariga com os olhos colados ao telemóvel.

 – Fogo! – indagou ela para o aparelho. Tínhamos acabado de arrancar, quando o telemóvel ficou sem bateria. Ela guardou-o na mochila e pôs-se a olhar pela janela. Lembro-me de ter refletido que os livros, ao menos, não precisam de um carregador para fazerem um ambiente animador.

 Olhei para trás e vi dezenas de pessoas acompanhadas por livros. Poucas os liam, algumas queriam atirá-los pela janela e muitas estavam-lhes gratos por já não precisarem de pagar o passe do autocarro. Nessa mesma tarde, participei numa manifestação que contou com cem mil portugueses. O governo, decidido a contrariar a estagnação do país, manteve escrupulosamente a sua decisão.

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 A dois dias do Natal, entrei com o livro no autocarro. O Sr. Gilberto recebeu-me com um sorriso quente como a chávena fervente do café, satisfeito pelo polícia já não estar a barrar a entrada aos seus clientes.



 Sentei-me num dos assentos livres. No fundo do veículo, um grande grupo de leitores mostrava o sucesso aparente da lei estimuladora da consciência. Eu ainda não estava convencido e acreditei que, agora que o polícia tinha ido embora, as pessoas iriam largar os livros nos cantos escuros da casa de onde os tinham ido encantar.


 Mas isso não aconteceu. Na manhã seguinte, metade do autocarro lia com o coração numa mão e o livro na outra. Batendo o pé, ainda indaguei com alguns colegas que, depois das férias natalícias, tudo voltaria ao normal. Estava indignado pelo modo como as pessoas estavam a submeter-se a esta lei absurda. Mal sabia eu o que estava prestes a vivenciar...

 Nesse dia, véspera de Natal, fui jantar a casa da minha mãe. Foi a primeira vez que o festejámos sem o meu pai. Ele lutou contra o cancro com brava postura. Pela minha mãe e pela memória dele, reuni-me com a minha irmã e preparámos tudo. Ela cozinhou o bacalhau, eu caprichei nos doces e, juntos, tratámos das surpresas.

 A nossa mãe não sorriu com todos os dentes, mas sentiu-se amada por todas as frentes. À meia-noite, trocámos regalos, e a nossa mãe entregou-nos dois embrulhos grandes e pesados. A minha irmã abriu o dela com agrado, enquanto eu rasgava o papel, desconfiado. De repente, a minha mãe levantou-se do sofá.

 – O vosso pai queria dar-vos algo que fizesse parte dele, para vocês o poderem recordar – ela respirou fundo e reteve as lágrimas. Apontou para a prenda desembrulhada da minha irmã, um aglomerado de livros velhos. – Ele escolheu-vos dez livros. Dedicou-te o romance de onde retirou a tua alcunha, minha andorinha – disse, apoiando-se na minha irmã.

 Ela limpou os olhos com a manga do casaco e veio ter comigo.

 – Ele deixou-te dez bocados da sua alma. Uma dezena de obras sem nome e autor. Uma delas foi escrita pelo teu pai... – ela abraçou-me com força, e eu envolvia com carinho. – Ele gostava que tu as lesses, que descobrisses qual é a dele. Eu sei que não gostas de ler e sei qual é, se tu não quiseres...

 – Eu vou lê-las – antecipei-me, beijando-a na testa. Não sei quanto segundos passaram até a minha irmã se juntar a nós e muito menos até quebrarmos o silêncio cheio de saudade e amor.

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 No dia seguinte, levei um dos livros do meu pai para o autocarro. O Sr. Gilberto conduzia com o cachecol que a mulher lhe fizera para o Natal, e a minha colega Clara lacrimejava ao devorar os poemas que o marido lhe dedicara. Eles podiam não ter dinheiro para grandes surpresas, mas têm paixão pelas subtilezas.

 Eu sentei-me ao lado da jovem do telemóvel sem bateria. Desta vez, trazia umas almofadas para aquecer as orelhas e lia um pequeno livro com letra graúda e imagens pretas.

 À minha frente, duas mulheres conversavam, animadas, sobre a nova legislação:

 – Sabias que os supermercados vão passar a fazer promoções exclusivas para quem comprar livros nas suas livrarias? – indagou uma.

 – Só falta oferecem carros a quem folhear uma revista! – brincou a outra. Com um sorriso de orelha a orelha, abstive-me do que me rodeava e abri o livro na primeira página: Para o Luís do pai.

 Aproximadamente um quarto da população utiliza transportes públicos. Por outro lado, 100% da população vai ao supermercado. Uma pedra pode mover montanhas. Uma regra pode gerar façanhas. 


Luís Telles do Amaral


PUBLICAÇÃO SEMELHANTE

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Annwn | PASSATEMPO FESTIVO

Com o mês das alegrias, trago-te a obra das magias.

Com o apoio da Chiado Editora, coloco a passatempo Annwn, um livro de fantasias e mistério. Durante o passatempo, conta com a opinião do livro, aqui mesmo, no nosso blogue 😉

Annwn, passatempo

Para concorreres, basta:
  1. Gostares da nossa página de facebook;
  2. Gostares da página de facebook da Chiado Editora;
  3. Partilhares o passatempo, no facebook ou no google+, publicamente;
  4. Identificares três amigos, aqui ou no facebook.
Funciona como uma entrada extra:

O passatempo termina às 23H59 do dia 31 de dezembro e é válido para residentes em Portugal.
Boa Sorte😉!

Sinopse | ANNWN

Demoraram cerca de duas horas e meia a trocar o pano que cobria o Espelho e a encaminhá-lo para a descida, de modo a ficar fechado na cave. O objecto era terrivelmente pesado e não podiam chamar mais ninguém para ajudar. Trocar os panos também não foi tarefa fácil porque não podiam olhar para o Espelho, o que era tremendamente tentador. 

PUBLICAÇÕES SEMELHANTES

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Jumanji: Bem-Vindos à Selva | A opinião da comédia

Jumanji, Bem-vindos à selva
Título: Jumanji — Bem-Vindos à Selva
Realizador: Jake Kasdan
Estreia: 21 de dezembro de 2017
Trailer & Sinopse: Em anexo 

Abram alas, porque a sequela do ano chegou ao nosso cinema! Jumanji é o filme ideal para acabares o teu dia bem-disposto. 


Ao contrário do primeiro, Jumanji — Bem-Vindos à Selva aborda com competência o jogo, tendo vários momentos para rir. O trailer abaixo expõe na perfeição a essência do filme.

Jumanji, Opinião do Filme

Como o filme anterior, quem começa a jogar o jogo Jumanji entra literalmente no jogo. Neste cenário, conseguiram construir um enredo cómico e coeso com alguma originalidade. É um filme engraçado até para as crianças, que têm oportunidades suficientes para exporem os seus sorrisos traquinas.

O elenco está de parabéns. Tanto o Dwayne Johnson, como a Karen Gillan, o Kevin Hart e o Jack Black brilharam com as suas personagens. Conseguiram animar o público e representar uma história agradavelmente consistente.

Jumanji, crítica

 
Assim, afirmo com agrado que Jumanji é uma comédia digna de cinema. Tem um elenco extremamente prestável, enquanto nos alegra e aquece.


Sinopse | JUMANJI — BEM-VINDOS À SELVA

Spencer, Fridge, Bethany e Martha são quatro adolescentes que descobrem Jumanji, um videojogo antigo e algo rudimentar, na cave da escola secundária onde estudam. Curiosos com o que acabaram de encontrar, resolvem jogá-lo. Mas, ao escolherem os avatares para poderem iniciar o jogo, os jovens são sugados para dentro do ecrã. É então que, assumindo as personagens que escolheram, se vêem transportados para uma selva luxuriante onde têm de jogar as difíceis regras do Jumanji. Agora, para poderem regressar ao mundo real, eles terão de esquecer o medo e aprender a trabalhar em equipa. Mas estarão eles preparados para o desafio mais difícil e perigoso das suas existências?


Trailer | DESCOBRE O NOVO JUMANJI!

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Jumanji, análise

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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

As Palavras Que Nunca Te Direi | Resenha do Livro

As Palavras Que Nunca Te Direi, Nicholas Sparks
Autor: Nicholas Sparks
Sinopse: em anexo
Lançamento: 1998
Editora: ASA

Desta vez, arrisquei e comprei um dos romances mais antigos do Nicholas Sparks: As Palavras Que Nunca Te Direi.


Acompanho as obras de Nicholas Sparks porque conseguem florescer o meu dia com uma singela página. Como costume, o autor é descritivo, permitindo uma visão abrangente das personagens e das suas feições.

As Palavras que Nunca Te Direi, Opinião

As Palavras que Nunca Te Direi tem um desfecho imprevisível e muito emotivo. Normalmente, Sparks tende a escrever finais felizes, ou a começar com introduções chocantes para nos cativar.
 Desta vez, fez exatamente o oposto!
As imagens dos barcos em cada capítulo, as mensagens escritas nas garrafas e toda a paixão que senti ao ler o livro fizeram-me verter lágrimas com o desfecho, ultrapassando todas as minhas expectativas.

Acredito que, para quem aprecia romances, As Palavras Que Nunca Te Direi é um dos melhores que alguma vez li. O título tanto apela à alegria de um primeiro encontro, como à tristeza de um fim trágico.

As Palavras Que Nunca Te Direi, Resenha

 Um livro que nos consome, ora alegre, ora triste.


Sinopse — AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI

Num momento de pura desolação, um homem lança uma garrafa ao mar. Nela estão juras de devoção eterna a um amor perdido… À mercê das ondas e do Destino, a comovente mensagem viaja até às mãos de Theresa Osborne, uma colunista de Boston. Sendo uma cética no que toca às questões do coração, devido ao seu casamento falhado, Theresa não deixa de se sentir intrigada pela sensibilidade daquelas palavras. E sem saber ao certo o que sente e para onde vai, faz-se à estrada. É numa vila soalheira sobre o mar, junto de Garrett, um homem com uma alma torturada, que termina a busca de Theresa. E aquilo que encontra é algo para o qual não estava preparada: um confronto inesperado, uma busca dentro de si própria, uma paixão avassaladora. Inspirado pela morte da mãe e os efeitos que esta teve sobre o pai, "As Palavras Que Nunca te Direi" é um dos romances mais pessoais de Nicholas Sparks… e fala-nos dessa qualidade tão singular do amor que o torna tão frágil e, ao mesmo tempo, tão poderoso.
 

Avalio

As Palavras Que Nunca Te Direi, Crítica

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Ferdinando | A Opinião do filme infantil

Ferdinando, filme
Título: Ferdinando
Realizador: Carlos Saldanha
Estreia: 21 de dezembro de 2017
Trailer & Sinopse: Em anexo 

Do mesmo realizador que Idade do GeloRio, Ferdinando é um filme bonito com um lema invulgarmente importante.


O filme apresenta Ferdinando, um touro diferente dos outros. Ele não sabe o que aconteceu ao seu pai na tourada... só sabe que ele não voltou e isso basta para ele ter a certeza de que não quer ter o mesmo destino...

Ferdinando, opinião
Ferdinando e a sua companhia maluca

É um filme que começa devagar, mas que depressa desenvolve e anima. Tendo em conta os filmes infantis que há no cinema, é uma opção agradável.
Como a maioria dos filmes para pequenos, é previsível. Mesmo assim, satisfaz pelo seu bom humor, pelas maluquices e pelo lema que carrega:

Luta pelo que queres. Nunca desistas. Altera o teu destino. Mantém a garra! 

Este filme não chega ao patamar dos outros do realizador brasileiro Carlos Saldanha (como a Idade do Gelo e Robôs), embora as personagens tenham peculiaridades engraçadas e um tema realista e pertinente: Os direitos dos animais nas touradas.

Ferdinando, crítica 

Ferdinando carrega a voz dos touros, que são tratados de forma totalmente desumana, com um clima leve, apelativo e criativo. 


Sinopse — FERNANDINO

Apesar da sua figura imponente e algo assustadora, o touro Ferdinand tem um coração generoso e sensível. Ao contrário da maioria dos machos da sua espécie, ele prefere a calma e a tranquilidade da quinta onde vive à adrenalina das corridas de touros tão famosas em Espanha, o seu país-natal. Tudo lhe corre de feição até ao dia em que, por lapso, acaba por ser seleccionado para combater nas touradas de Madrid. No lugar para onde ele é levado, Ferdinand acaba por fazer grandes amigos, mas em nenhum momento esquece o seu maior objectivo: encontrar uma forma de voltar para Nina, uma menina meiga que é também a sua melhor amiga…

Trailer — FERNANDINO


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Ferdinando, análise

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domingo, 17 de dezembro de 2017

O Homem que Inventou o Natal | Opinião do Filme

O Homem que Inventou o Natal, crítica
Título: O Homem que Inventou o Natal
Realizador: Bharat Nalluri
Estreia: 14 de dezembro de 2017
Trailer & Sinopse: Em anexo 

Um filme racional e emocional com grande moral. O Homem que Inventou o Natal cativa pelo rumo inesperado da história quando as personagens fogem ao papel... literalmente! 


Este título aborda a força e a coragem do escritor Charles Dickens para alcançar a glória. Uma família grande não é fácil de sustentar, principalmente na época das aparências e com uns pais totalmente fora da rotina.

O Homem que Inventou o Natal, Opinião

Todos conhecemos a Canção de Natal (Um Conto de Natal), mais não seja pelo velho avarento que é visitado pelos espíritos passado, presente e futuro para reavivar a chama natalícia. Neste filme, contudo, a pessoa que é posta à prova é o próprio escritor do conto universal, o visionário Charles Dickens. 

O filme é de um desenvolvimento moroso, mas necessário para destacar a humanidade do cenário. No meio de tanta ficção e fantasia, esquecemo-nos de que há quem consiga fazer uma obra com a realidade. Prezo este filme por isto! Não é fácil revelar os podres das personagens. Dan Stevens representou o escritor com primor.
  
O Homem que Inventou o Natal, análise
  
Quem aprecia a perspetiva do século XIX também ficará agradado. Os adereços e o guarda-roupa agradam. Só alerto para a dobragem do filme, que estraga toda a intensidade e teatralidade que o elenco quer passar.

O Homem que Inventou o Natal cumpre o que promete: abordar o cerne dos dilemas e estratagemas que compõem a chama natalícia.


Sinopse — O HOMEM QUE INVENTOU O NATAL

Londres, 1843. Dois anos após o grande sucesso de "Oliver Twist", o escritor Charles Dickens atravessa uma enorme crise financeira resultante do fracasso das suas últimas obras. Derrotado e sentindo a pressão de encontrar um meio de sustentar a família, vê-se incapaz de encontrar a inspiração de que precisa. É então que, num momento de puro génio, lhe surge a personagem Ebenezer Scrooge, o velho de coração duro que não acredita no espírito natalício. Viria a tornar-se a figura central de "Um Conto de Natal", ainda hoje considerada uma das mais importantes histórias alguma vez escritas.


Trailer — O HOMEM QUE INVENTOU O NATAL

Avalio

O Homem que Inventou o Natal, avaliação

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